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Entre lembranças e afetos, Márcia preserva a tradição junina

O São João é feito de música, dança e comidas típicas, mas também de histórias. Entre elas está Márcia, 52 anos, comerciante que participa pela primeira vez do Camaforró como trabalhadora. Natural de Salvador, ela cresceu em uma família onde os festejos juninos sempre ocuparam um lugar especial. “É tradição da minha família”, resume ao recordar as raízes que a conectam ao período junino.

Embora seja sua estreia trabalhando durante os festejos em Camaçari, o São João faz parte de sua trajetória há muito tempo. Ela relembra com carinho uma experiência vivida no Pelourinho, quando participou espontaneamente de uma quadrilha improvisada. “Foi muito divertido. A gente formou uma quadrilha de última hora e eu gostei muito.”

Para Márcia, preservar o São João significa resguardar uma parte importante da cultura nordestina. Ela define a tradição como uma verdadeira relíquia cultural e acredita que a festa continua sendo um elo entre passado e presente. Ao observar as transformações das últimas gerações, demonstra preocupação com o enfraquecimento de alguns costumes tradicionais. “Eu acho que a geração de hoje não dão o mesmo valor. É um público diferente, as tradições são outras.”

Como comerciante, Márcia também conhece os desafios enfrentados por quem trabalha durante grandes eventos populares. Ela compara experiências vividas em diferentes localidades e destaca o acolhimento encontrado no Camaforró deste ano. Mais do que uma oportunidade de trabalho, a festa representa um espaço de encontro, convivência e valorização cultural.

Quando questionada sobre seus sonhos, sua resposta revela a força dos laços familiares que atravessam sua história com o São João. “Eu gostaria muito de passar um São João com a minha família. Já vivi isso antes e sinto falta desses momentos.”

Para outras mulheres, ela deixa uma mensagem simples, mas poderosa: “Não desistam. Lutem pelos seus ideais.”

Em tempos de mudanças culturais e novos formatos de celebração, histórias como a de Márcia mostram que o São João continua vivo através das pessoas que carregam suas memórias, seus afetos e sua disposição de manter acesa a chama da tradição nordestina.

Márcia (Foto: Janine Brandão)
Foto de Manifesta Feminina

Manifesta Feminina

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