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Silvana Lúcia e o São João como espaço de cultura, família e pertencimento

Para muitas pessoas, o São João é uma festa que dura apenas alguns dias. Para Silvana Lúcia, filha de Camaçari e participante dos festejos juninos há décadas, a celebração faz parte da própria identidade nordestina. Entre o som da sanfona, as bandeirolas coloridas e a movimentação do Camaforró 2026, ela fala sobre a importância de preservar uma tradição que atravessa gerações e continua reunindo famílias inteiras em torno da cultura popular. “Sempre comemoramos. O nordestino, o baiano, sempre teve essa tradição.”

Há cerca de dez anos trabalhando no Camaforró, Silvana Lúcia acompanha de perto a evolução da festa e destaca a estrutura oferecida para receber moradores e visitantes. “É muito bom ver as famílias vindo curtir com segurança, diversão e respeito.” Para ela, o São João vai muito além dos shows e das atrações musicais. É um espaço de encontro, afeto e fortalecimento dos laços comunitários. “Representa amor, representa diversão, representa cultura, família e tradição.”

Silvana Lúcia ( foto: Janine Brandão)

Durante a entrevista, uma palavra apareceu diversas vezes em sua fala: respeito. “Esse é um dos elementos mais importantes para que a festa continue sendo um ambiente acolhedor para todas as pessoas. O respeito vem primeiro. Respeito na família, respeito com quem está na festa e respeito ao próximo”, completa.

Outro ponto que ela destaca é a ampliação da participação feminina na festa. Mulheres que antes estavam restritas a determinados espaços agora ocupam diferentes funções e mostram sua força em setores variados. “As mulheres estão ativas e empoderadas em todos os setores. Na segurança, no comércio, nas barracas, nos palcos.” Para Silvana Lúcia, essa presença crescente demonstra não apenas competência, mas também a conquista de espaços historicamente ocupados por homens. “As mulheres estão mostrando cada vez mais o seu empoderamento.”

O reconhecimento profissional também aparece em sua trajetória. Ela afirma sentir que seu trabalho é valorizado. “Graças a Deus, eu tenho reconhecimento. Por isso continuo aqui.”

Seu desejo para os próximos festejos é simples e coletivo: que todas as pessoas possam celebrar com paz, segurança e respeito. Em suas palavras, fica evidente que o São João não é apenas uma festa. É um patrimônio afetivo que fortalece a cultura nordestina e mantém vivas histórias compartilhadas entre famílias, comunidades e gerações. E é justamente por pessoas como Silvana Lúcia que essa tradição continua encontrando novos caminhos para permanecer viva no coração do povo baiano.

Foto de Manifesta Feminina

Manifesta Feminina

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