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Maioria para eleger, minoria para decidir. Por que ainda não ocupamos o poder?

Apesar de representarem 53% do eleitorado brasileiro, as mulheres ocuparam apenas 17% dos cargos eletivos nas eleições realizadas entre 2018 e 2024

Somos a maioria que escolhe, mas ainda somos a minoria que decide. Embora representem mais da metade do eleitorado brasileiro, as mulheres continuam ocupando uma parcela muito menor dos cargos políticos no país.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições realizadas entre 2018 e 2024, as mulheres representaram 53% do eleitorado e 34% das candidaturas, mas apenas 17% das pessoas eleitas.

Os números revelam uma distância significativa entre a presença das mulheres nas urnas e sua participação nos espaços onde são tomadas decisões que afetam diretamente a vida da população.

A participação política já existe

A baixa presença feminina nos cargos eletivos não significa falta de interesse ou de participação política. As mulheres estão nos movimentos sociais, sindicatos, organizações religiosas, movimentos estudantis, associações comunitárias e partidos políticos.

Entre as pessoas filiadas a partidos no Brasil, 46% são mulheres. Ainda assim, essa participação não se transforma, na mesma proporção, em candidaturas competitivas, mandatos e poder de decisão.

Se as mulheres participam ativamente da política e são maioria entre as pessoas que votam, o que ainda impede que essa presença chegue aos espaços de poder?

Para ouvir o que elas pensam sobre essa realidade, a Manifesta Feminina foi às ruas. Além de perguntar quais critérios pesam na escolha de uma candidatura, buscamos compreender por que ainda existem tão poucas mulheres ocupando cargos políticos.

O que pesa na escolha do voto?

Na hora de decidir quem irá representá-la, Cristina afirma que procura conhecer a trajetória de cada candidatura.

“Levo em consideração o histórico, o que já foi feito, o que saiu na mídia sobre a pessoa e todo o currículo que ela traz”, explica.

Para Daiane, as propostas relacionadas aos direitos básicos da população têm um peso importante, especialmente por sua experiência como mãe atípica.

“O que pesa é a questão da saúde e da educação, que estão complicadas, principalmente porque sou mãe atípica”, conta.

As respostas mostram que o voto das mulheres é atravessado por suas vivências, necessidades e pelos desafios enfrentados diariamente. Saúde, educação, segurança, cuidado, trabalho e enfrentamento à violência são algumas das áreas diretamente influenciadas pelas decisões políticas.

Por que ainda somos poucas?

Na avaliação de Aline, a desigualdade está relacionada à resistência em reconhecer a capacidade das mulheres para ocupar espaços historicamente dominados por homens.

“Eu acho que os homens querem ocupar todo o espaço. Eles acham que a gente não tem capacidade”, afirma.

Luciana acredita que também falta oportunidade para que as mulheres consigam participar da política em condições mais igualitárias.

“Existem políticas públicas para as mulheres no papel, mas, na realidade, nós não temos tantas oportunidades assim”, observa.

As falas evidenciam barreiras que não começam apenas no período eleitoral. Elas estão presentes na divisão desigual das responsabilidades familiares, na falta de incentivo, na violência política, na dificuldade de acesso a recursos e na estrutura dos próprios partidos.

Nas urnas, as mulheres já são maioria e têm força para decidir uma eleição. O desafio é fazer com que essa participação também se transforme em presença, representação e poder de decisão. Quando mais mulheres ocupam a política, novas experiências, necessidades e perspectivas também passam a fazer parte das escolhas que definem os rumos da sociedade.

 

Foto de Manifesta Feminina

Manifesta Feminina

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