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Número de feminicídios no Brasil é inadmissível

O Brasil segue atravessado pela violência extrema contra mulheres, e os casos recentes são um retrato doloroso de um país que insiste em matar o feminino. No último final de semana, uma mulher foi atropelada por um homem tomado pelo ciúme. Ele não apenas a atingiu: arrastou seu corpo por um quilômetro. Ela sobreviveu, mas teve as duas pernas amputadas e segue em estado delicado. No Rio de Janeiro, um funcionário do Cefet matou duas mulheres por não suportar ser subordinado a elas.

Esses episódios não são acidentes, excessos de emoção ou “tragédias isoladas”. São feminicídios – crimes motivados pelo ódio, pelo controle, pela objetificação e pela crença de que o corpo e a vida da mulher podem ser possuídos e descartados. São manifestações da misoginia estrutural que atravessa nossas instituições, nossas ruas, nossas casas.

No nosso país, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia apenas por serem mulheres. Quatro vidas interrompidas. Quatro famílias destruídas. Quatro histórias que carregam sonhos, filhos, comunidade, pertencimento. Cada uma delas deveria ser suficiente para parar o país. Mas seguimos convivendo com notícias que chocam pela crueldade, até que deixem de chocar – e este é o ponto mais perigoso: a naturalização.

O Manifesta Feminina repudia, com veemência, todo e qualquer ato de violência de gênero. Exigimos ações concretas: políticas efetivas de prevenção, educação para igualdade, acolhimento às vítimas, responsabilização dos agressores e fortalecimento das redes de proteção. A omissão não é neutra. A omissão mata.

Não se trata de uma luta apenas das mulheres. Trata-se de uma urgência coletiva. Ninguém deveria viver com medo por existir no mundo. Ninguém deveria morrer por dizer não. Ninguém deveria ser punida por ocupar espaços de poder, por ter autonomia, por ser quem é.

Que a dor desses casos não seja apenas mais um capítulo de estatística. Que seja o grito que nos une, que convoca a sociedade para uma virada. Pelo direito básico de existir. Pelo direito inegociável de viver.

Foto de Manifesta Feminina

Manifesta Feminina

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